domingo, 28 de outubro de 2012

BIS




E quando eu penso que já tinha acabado, lá vem meu coração dar show outra vez.
Não adianta. É uma foto... uma música... uma piada... um lugar...
O vento que bate e me lembra das coisas que você me dizia...
Um olhar que se cruza e traz de volta aquele alguém que só eu via...
Um sorriso que ficou na lembrança...
Uma frase solta no ar...
O simples juntar das letras no formar do teu nome....
As árvores, as folhas, a rua, a estrada, a lua...
Algo que eu vejo na TV e sei que você gostaria de ver também...
Coisas que eu leio, coisas que eu escrevo...
Coisas que vejo nos teus olhos e que já não vejo mais  nos meus...
Sempre vai faltar alguma coisa. Por mais alegres que sejam os meus dias; por mais amor que eu encontre em minha vida; por mais apoio e ombros amigos que me ofereçam, sempre vai ficar o oco que era preenchido por você.
Se ao menos as minhas dúvidas pudessem ser respondidas, se eu não me sentisse tão perdida, se eu pudesse ao menos entender porque sinto o que sinto...
Sinto os teus sentimentos, como se essa ligação fosse inquebrantável e é por sentir o que você sente, que mesmo ao fim do espetáculo a esperança se junta ao meu coração para pedir bis.
E, no entanto é tarde demais. Já é tarde demais para mim e vai ser muito mais tarde ainda quando você entender e aceitar (se é que seja possível que isso vá um dia acontecer...).
Lamento tanto por tudo ter seguido por um rumo tão tortuoso. Lamento demais que tudo tenha se desfeito como se tivesse sido escrito na areia.
Já perdi até o rumo do que eu ia escrever, pois as lágrimas que eu achei que já tivessem secado caem agora fluentemente e não me deixam mais enxergar o texto. Trazem-me lembranças de risos e sorrisos, falas e silêncios, olhares e desvios, proximidades e distâncias e já não consigo mais lembrar que rumo este texto deveria tomar...
Lá vou eu para mais um bis. Mais uma noite de memórias, lamentos, saudades e lágrimas no travesseiro.


"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era para sempre, sem saber que o para sempre sempre acaba..." (Por Enquanto - Cássia Eller)





segunda-feira, 15 de outubro de 2012

TO SIR, WITH LOVE...




Quando eu era criança, eu tinha uma imaginação incrível. Por falta de amiguinhos da minha idade e por meus irmãos serem ainda bebês, usava minha imaginação fértil para brincar. E sabe qual era minha brincadeira preferida? Escolinha.Eu tinha uma lousinha, que apoiava em cima de uma cadeira, tinha giz de todas as cores e tinha também meus livros didáticos de matemática, português, ciências e estudos sociais (sobras que eu ganhava da minha tia professora). E era ali, em cima de uma cadeira no quintal que eu dava aula para minha turma imaginária. E todos eles tinham nome, número de chamada, ganhavam estrelinha de bom comportamento e tinham seu dia de ajudante.
Eu preparava as aulas, separava as matérias, dava notas nos trabalhos... Passava horas e horas apagando e escrevendo de novo na lousa... Adorava tudo aquilo, resolver as questões, ensinar, mostrar tudo que eu sabia...
Sempre adorei a escola – como boa nerd que sou. Os professores sempre foram meus melhores amigos. Sempre me causavam aquele fascínio, me deixavam boquiaberta por saberem tanto, me faziam querer saber tanto quanto eles, eu queria ser daquele jeito, queria saber tudo aquilo...
Queria crescer e ter minha própria escola, minha lousa gigante de verdade, minha lista de chamada de verdade, minha turma de verdade...
O tempo passou e os sonhos mudaram, mas a escola continua sendo meu lugar preferido. Ainda adoro meus professores, e babo - sim, babo - no quão longe vai o conhecimento de alguns. Ainda sinto o mesmo fascínio, ainda adoro aprender e prestar atenção e absorver tanto quanto for possível daquela sabedoria que eles estão ali transmitindo.
Estou no último ano de faculdade, no último semestre, mas ainda lembro o nome – senão de todos, mas de boa parte dos meus professores desde o maternal. Lembro-me das escolas por onde passei, e de cada uma dessas pessoas tão importantes que participaram deste meu processo de aprendizado, que alimentaram essa minha sede incontrolável de saber.
Tia Elianinha (Maternal), tia Cláudia (Jardim), tia Izabel (Pré), Professoras Irene (1ª série), Josefina (2ª série), Yara (3ªsérie), Lourdinha (4ª série), Alda, Letícia, Maria Angélica, Laura Beatriz, Bárbara, Cida, Marlett, Érica, Lídia, Conceição, Telma, Marilena Bonnon, Sandra (Geografia), Simone, Ana Lúcia (Matemática), Maria Eugênia, Márcia, Edilaine, Mônica, Genelva, Sandra (Inglês), Veridiana, Valéria, Rita, Yasuko, Amanda, Sônia, Cristiana, Eliana, Solange, Ana Lúcia (Inglês),  Aline, Fernanda e os professores Silvio, Aldimar, Luiz e Kéler,  Luiz Felipe, Ferrari, Felipe, André, André Brait, José Vicente, Edinho, Bina, Assis, Beli, Pascoal, Pedro... Espero que eu não tenha esquecido ninguém já que todos foram tão importantes.
Neste dia de vocês quero então dizer o quanto os respeito, o quanto os admiro, o quanto os agradeço... Quero dizer tantas coisas e nem sei como. Acho que este dia deveria sim ser mais valorizado, que esta profissão deveria ser muito mais valorizada, mas não quero entrar no âmbito político desta questão.
Peço que aceitem a minha singela homenagem, o meu carinho, meu respeito e admiração. Tenho certeza que muitos que estão me dando aula na facu neste momento vão ser para mim inesquecíveis, vou carregar na mente e no coração e vou continuar babando quando falar deles por aí, assim como babo em classe escutando vocês falarem.
Parabéns pelo dia de vocês. Parabéns por escolherem esta profissão. Parabéns por muitas vezes orientarem os passos incertos de seus alunos.
Obrigada por ME orientarem. Obrigada por compartilharem as coisas incríveis que vocês sabem. Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada.
Tia Eliana e Tio Eduardo, parabéns para vocês também. Se escolinha era minha brincadeira favorita tia, era porque eu queria imitar você. E tio, você compartilhando todo seu conhecimento de História (tanto teórico quanto prático), foi o primeiro professor que me fez babar.
Mais uma vez parabéns a vocês!!!! Afirmo com toda certeza que sem vocês, faltaria boa parte do que hoje existe em mim.

(Queria que todos os professores aqui citados pudessem ler isso e se eu me esqueci de algum, me desculpe, são nomes demais para lembrar!!)

Pra terminar, uma musiquinha:


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

GENTE COM DISTÚRBIO


Hoje é Dia das Crianças e eu ia fazer várias montagens de fotos para colocar no Facebook e desejar  alegrias para as “crianças” que já passaram da idade assim como eu. Mas enquanto eu montava as fotos e pesquisava textos, me veio essa vontade louca de escrever e – quem escreve , sabe – contra a inspiração não se pode lutar. Eu acho que o texto vai ficar grande demais pro Face, então tenho que colocá-lo onde tem espaço, ou seja: aqui na minha Penseira.

Quando a gente é criança, fica fascinado com esse mundo dos adultos. A gente quer crescer, fazer logo os tão sonhados 18 anos e poder mandar no próprio nariz. Doce ilusão. Aí a gente cresce e tudo que a gente quer é voltar, porque por algum motivo, aquela alegria doce e inocente, não acompanhou a gente pro mundo de gente grande...
Mas tem gente que cresce, e apesar de tudo – da idade, dos problemas, das responsabilidades – deixou uma portinha aberta para aquele mundo anterior. Gente que quando se junta, esquece que cresceu, abre a porta da casinha de brinquedos e volta pra lá, pro mundo da alegria infantil.



Gente que joga vídeo game, assiste filme de terror e fica com medo do escuro depois, que ri de piada tipo pastelão, que vai ao cinema e se diverte, que gosta de assistir desenho...


Gente meio louca, que canta parabéns no busão, que brinca de guerra de travesseiro, que gosta de comer Trakinas, Passatempo e Bis, que joga Banco Imobiliário, Mario e Guitar Hero...


Gente maluca que fica conversando em códigos, inventando histórias sem pé nem cabeça, fazendo parte de um mundo que só existe na cabeça delas, um mundo que talvez somente as crianças pudessem entender...




Gente que prega peças nos outros, brinca de dar susto, faz pegadinha, aposta corrida, assiste Chaves e Todo Mundo Odeia o Chris e ri como se os episódios fossem inéditos...
Gente que lê e incorpora os personagens, fica fingindo fazer parte do livro, gente que se encontra nos filmes e que aprende a cantar na janela pra encontrar seu verdadeiro amor...


Gente bem louca essa não?
Essa gente tem algum tipo de distúrbio,  porque que não aprendeu a crescer e ficar chato. Porque não aprendeu a crescer e ficar velho. Porque não aprendeu a crescer... Ou será que aprendeu na medida certa? Sei lá.
Só sei que  faço parte dessa gente, que não trancou a porta da Terra do Nunca. Essa gente com síndrome de Peter Pan, que manteve dentro de si essas crianças felizes e que toda vez que se junta, termina sempre feliz, cheios de risadas e histórias pra contar; coisas loucas que nem mesmo a gente acredita que foi capaz de fazer...

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS PARA NÓS, CRIANÇADA!!!!

O maior presente para nós neste dia, é saber que a gente ainda é capaz de ser criança e conservar essa pureza e essa alegria que muito adulto por aí já perdeu! 


Ser criança pra sempre é um dom
Ser criança é crer no amanhã
É virar pelo avesso do fim pro começo
O alegre refrão do Can can
Vai começar a brincadeira de qualquer maneira
Mesmo que não queira você vai dançar
É só fazer o que eu faço no mesmo compasso
Vamos dar o braço, pernas para o ar
La-la-la-la... 
(Can Can - Trem da Alegria)

Tantas crianças já sabem que todas elas cabem no nosso balão
Até quem tem mais idade, mas tem felicidade no seu coração
Sou feliz, por isso estou aqui, também quero viajar nesse balão
Super fantástico, no Balão Mágico, o mundo fica bem mais divertido
(...)Vamos fazer a cidade virar felicidade com nossa cançao
Vamos fazer essa gente voar alegremente no nosso balão...
(Super Fantástico - Balão Mágico)









quinta-feira, 4 de outubro de 2012

TE CONHEÇO...




Ah como eu te conheço... Fico olhando de longe e leio tudo, sinto tudo, sei de tudo... Isso pode soar como pretensão, mas não é. É um simples fato: apesar deste afastamento e de toda esta distância, ainda existe em mim esta conexão.
Conheço estes gestos enérgicos, essa maneira de apontar o dedo e de falar com as mãos. Você está bravo. O corpo rígido, os movimentos bruscos, a expressão severa. A vontade louca de mostrar sua indignação e de provar por A + B que está certo. Conheço cada canto retorcido dos teus lábios, desgostosos com a situação.
Conheço a expressão vaga dos teus olhos quando alguém se aproxima com aquele tipo de conversa banal. Quase posso ler teus pensamentos, quase escuto o barulho das engrenagens funcionando: "Por que você está falando comigo? Não vê que estou lendo?"
Conheço esse ar de fingido interesse , esse leve virar da cabeça, um leve sorriso amarelo para então, em seguida, voltar a concentrar a atenção em qualquer outra coisa de seu interesse.
Ah, por que te conheço tanto? Por que fico pensando e observando, seus olhos, seu rosto, suas mãos, seus pés, seu sorriso, você? Por que sinto tanta falta de ter qualquer migalha da atenção que você dedica aos outros? Nada em mim te interessa mais; eu praticamente deixei de existir na sua vida e no entanto... Aqui estou eu, pensando em você, escrevendo sobre você, tentando te entender, querendo saber o porquê de toda essa loucura...
Quisera eu não te conhecer tão profundamente. Talvez deste modo, meu coração acreditasse que não há nada de bom aí e que não existe mais nenhuma chance para nós dois...
Mas eu te conheço...



Pra terminar: Don't Speak (No Doubt) - Diz tudo...


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

À FLOR DA PELE



Ainda dói. E qualquer leigo consegue enxergar, pois transborda dos meus olhos cada vez que eu tenho que responder uma pergunta sobre você. Hoje, mais uma vez eu vi o quanto eu estava enganada quando pensei que já não havia mais lágrimas. E cada vez que elas caem, eu enxergo o quanto venho tentando me enganar. Não secou.
Tá tudo aqui à flor da pele. No pulsar mais rápido do meu coração, quando num repente, meu olhar cruza com o seu. Na dor aguda do lado esquerdo do meu peito cada vez que você desvia de mim. No inspirar mais profundo ao tomar coragem para falar com você. No tremor das minhas mãos ao conversar brevemente sobre coisas que ainda tenho em comum contigo.
Tá tudo aqui, tão límpido quanto a água de um lago cristalino. Tá escorrendo dos meus olhos e pingando neste papel que uso como rascunho enquanto escrevo este texto. Tá na luz do poste borrada que enxergo da janela do ônibus, atenta pra ver se não vem vindo alguém.
Se o tempo cura, parece que eu vou precisar de uma overdose. E pela intensidade das emoções de hoje, chego a pensar que nem isso vai dar jeito.
Hoje ouvi a seguinte frase de alguém que acompanha de perto esta nossa situação: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas (uma sábia citação de Saint Exupéry e seu Pequeno Príncipe). Pode estar certa de que assim como seu coração foi conquistado, aquele outro coração também foi". E quando dividi com ele a minha conclusão, qual não foi minha surpresa ao descobrir que ele partilha da mesma opinião que eu!!!
E em meio às minhas lágrimas então, cheguei à conclusão de que talvez eu não esteja tão errada assim. E aqui estou, seguindo os conselhos desta pessoa que tanto admiro e abrindo as comportas, deixando a emoção passar.
Deixa fluir. Talvez um dia passe...

"A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar."
(O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint Exupéry)

Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito
Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo
Não adianta fugir, nem mentir pra si mesmo
Agora, há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar...
(Lulu Santos - Como Uma Onda)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

HOJE ERA UM DIA ESPECIAL / PASSOU DA MEIA-NOITE


Hoje costumava ser um dia especial. um dia que eu tinha marcado na agenda, no caderno, no calendário em cima da mesa. Um dia que eu planejava desde o começo do mês. Imaginava planos mirabolantes para surpreender e inovar, fosse por meio de uma carta, um cartão, um post, uma foto em uma rede social ou até mesmo com um presente mais físico. Ainda que distante, nunca deixei de estar presente nos últimos doze anos nesta data, que era junto com o Natal, uma das datas pela qual eu mais esperava, pois era dia de estampar o amor mais lindo que eu sentia, de fortalecer aquilo que eu mais valorizava... O verbo, como vocês podem ver, está no passado. Acabou que hoje, virou só mais um dia. Agosto é agora, só mais um mês.
Sábado aconteceu algo - e só nessas horas a gente vê como age o destino. Arrumando umas coisas no meu quarto, encontrei um papelzinho dobrado. Neste papel estava um texto que escrevi em julho do ano passado, chorando escondida da "fonte de inspiração", e que quando achei que existia conserto para um cristal quebrado, desisti de postar este texto. Coisas foram acontecendo e eu achei que ainda existia esperança e que o amor prevaleceria acima das diferenças e dificuldades. Sendo assim,o mesmo ficou guardado até este fatídico sábado e seu acontecimento fulminante que terminou com o encontro deste texto perdido.
Sabendo agora que este texto faz sentido, e que este dia virou só mais um dia, é com o coração apertado que vou postá-lo, não sem antes dizer que tentei tudo que podia. Que ele ficou dobrado e perdido no fundo de uma gaveta, porque eu tentei mudar a realidade que esta inspiração me mostrou há mais de um ano atrás. Eu não queria que ela se realizasse, fechei os olhos para não ver mas foi inevitável, porque não adianta eu querer segurar essa estrutura sozinha. Não aguentei o peso. E agora o texto tristemente será postado aqui.

PASSOU DA MEIA-NOITE

Existem algumas coisas que a distância rouba de nós. Algumas coisas que por mais que eu queira, nunca mais serão as mesmas. Laços, que por mais fortes e duradouros que sejam, vão sofrendo pequenos abalos e quando a gente percebe, já não exibem mais a mesma perfeição.
O tempo não para e infelizmente, isso acarreta mudanças que nós não podemos reverter. Não adianta dar murro em ponta de faca e sorrir fingindo que tá tudo bem, porque não tá!!! Inevitavelmente o tempo e a distância nos roubaram a cumplicidade ímpar que nós não temos mais como recuperar.
Por mais que seja doloroso admitir, tá tudo muito diferente e não tem como a gente negar. Alguns valores se mostram incompatíveis, algumas ideias correm totalmente em direções opostas e os sonhos são tão paradoxais que não há como explicar.
Constatar isso dói. Traz lágrimas aos meus olhos e me faz perder o sono nesta madrugada (ao contrário de você, que já dormiu faz tempo) e vir me refugiar no único lugar onde me sinto segura: nas palavras. Então é papel e caneta na mão e o coração vai se expondo, porque sabe que aqui, não há o que temer.
Enquanto choro, fico pensando nas voltas que a vida dá e o quanto as coisas mudam sem que a gente possa evitar. É triste saber que não há modo de voltar atrás para impedir que tudo isso aconteça e não deixar que nada abale nossos pontos em comum. Mas como eu já disse, o tempo não para e um dia a gente cresce para perceber que inevitavelmente pra andar pra frente, a gente acaba tendo que deixar algumas coisas para trás.
E não adianta eu lutar, dizendo que não quero ser uma adulta que desliga a TV e vai dormir só porque passou da meia-noite. Não adianta resistir ao inevitável. Quanto mais eu resisto, mais ele acontece.
É, a distância abalou coisas que eu achei que nunca iriam mudar. O tempo mudou convicções que eu tinha como eternas. Então quem sou eu pra dizer que nada mais vai mudar daqui pra frente? Pois é, eu não sou ninguém. E também não sei de nada. Como já disse alguém mais sábio do que eu "SÓ SEI QUE NADA SEI". E não há maior verdade do que essa.

Ufa! Pronto, acabou. O texto escondido finalmente se revela.
Tristemente, passou da meia-noite para nós e já passou faz tempo. Não existe programação na madrugada deste canal. Por mais que eu não queira, tá na hora mesmo de desligar a TV.

If someone said three years from now
You'd be long gone
i'd stand up and punch them out
Cause they're all wrong
I know better, cause you said forever
And ever, Who knew?

(...)I guess i just didn't know how
I was all wrong
They knew better
Still you said forever
And ever, Who knew?

Se alguém dissesse há três anos
Que você iria embora
Eu levantaria e socaria todos eles
Porque eles estariam todos errados
Eu sei melhor, porque você disse para sempre
E sempre, Quem diria?

(...) Eu acho que eu não sabia como
Eu estava totalmente errada
Eles sabiam melhor
Ainda assim você disse para sempre
E sempre, Quem diria?

(Who Knew? - Pink)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

É PROIBIDO JOGAR LIXO


Antes de começar a ler, saiba que utilizei um palavrão nesta postagem, mais de uma vez, e pensei em colocá-lo censurado cheio de símbolos para encobrir, mas aí eu estaria mais uma vez engolindo um sapo e isso iria contra o propósito deste post que é o de botar tudo pra fora. Então, desculpem-me, mas eu precisava "falar".

Ando muito triste ultimamente. Hoje, durante uma crise de choro depois de uma briga boba em casa, foi como se eu pudesse ver um filme passando diante de mim e eu comecei a questionar o porquê de toda essa tristeza.
Ando me sentindo como um depósito de lixo, onde todo mundo vai atirando toda a porcaria que não presta. Tô guardando muitos sentimentos ruins - raiva, ciúme, inveja, mágoa - e isso não faz mal nenhum pra quem tá jogando fora e sim, para mim.
Em um dos meus filmes favoritos - O Diário da Princesa - existe a seguinte citação: "Ninguém pode te fazer se sentir inferior sem o seu consentimento". E é exatamente o que eu tô fazendo: deixando as pessoas fazerem de mim um ser inferior. Uma porcaria. Um lixão. "Jogue aqui toda a sua sujeira". Eis a placa que ando carregando.
A verdade é que tá me faltando mandar um - e agora peço desculpas aos meus leitores mas como diz a música "eu vou enfiar um palavrão" - VAI SE FODER bem grande. Sim! Se eu tivesse mandado quem merecia nas horas em que tive vontade, talvez eu não tivesse sido atropelada pela decepção e não estivesse me sentindo tão mal como estou agora. Eu não sou um pelicano, não tenho um papo daquele tamanho e não tá cabendo mais sapo na minha goela não!!!
Então, pra você com as suas indiretas em redes sociais: VAI SE FODER!!!
Quando você tava um saco, só falava do mesmo assunto chato, repetitivo, cansativo e entediante, eu sempre te ouvi! Meu ombro pendia torto de tanto que você se apoiou! E parece também que você esqueceu que eu passei três anos jogada para escanteio, esquecida, sozinha, porque você tinha "coisas mais importantes" com as quais se preocupar. E era tão importante que a sua melhor amiga deixou de importar. Era tão importante que quando tomaste um belo de um chute, quem era a tonta que estava aí do seu lado? Eu! Esta tonta na qual agora você desconta tuas frustrações. Pois bem, eu não mandei antes em nome da nossa amizade, que agora pende jogada no topo da pilha de lixo que você despejou sobre mim. Pois bem, agora então eu te mando: VAI!!!
Você, que me deletou, me excluiu, me bloqueou e agora me trata como se eu fosse invisível e inexistente: VAI SE FODER!!!
Você é a pessoa mais insuportável que eu já conheci em toda a minha vida!!! Todo sistemático, metódico, certinho. Ainda assim, te chamei de amigo e fiquei do seu lado mesmo quando você se tornou tudo o que disse que jamais seria. Mesmo quando você fez milhares de coisas que enchia a boca para condenar. Mas eu estive sempre, SEMPRE, do seu lado. Mesmo com toda a sua bipolaridade, estranhice, nerdice, chatice e outros montes de "ices". Quando finalmente você encontrou no meio desse iceberg no seu peito, o seu coração e chorou, adivinha em qual ombro que foi? Claro que foi no meu!!! Neste ombro que agora se encontra sob a montanha de lixo que você descartou , junto com essa que costumava ser a sua amigona e hoje é só uma peça excluída, deletada, invisível, inexistente. Pois então, como não te mandei antes, mando-te agora: simplesmente VAI!!!
Cansei de ser saco de lixo. Saco de pancada. A fofa. A boazinha. A compreensiva. Um doce de pessoa. Uma santa de tão boa.
Eu tenho TPM, sou impaciente, tô a um milhão de quilômetros de distância de ser perfeita e não tenho sequer a mínima intenção de ser. Nunca fingi ser "um doce" pra ninguém gostar de mim.
Tô aqui vomitando alguns dos sapos que engoli (não caberiam todos aqui, acreditem!). Daqui pra frente este aterro está interditado. Não vou mais deixar ninguém jogar lixo e não vou viver tentando reciclar o lixo de ninguém. A partir de agora, jogou lixo aqui, eu atiro de volta. Cada um que recicle o seu.
Sou uma pessoa, propensa a falhas. Muito mais vezes alegre do que triste. Muito mais vezes amando do que querendo matar meio mundo. Mas nunca de um humor só. HUMANA!
Carne, osso, sangue, cérebro, mas principalmente CORAÇÃO!
Gostou? Seja bem vindo.
Não gostou? Procure o lixão mais próximo para se desfazer das suas porcarias porque aqui de agora em diante, é área de preservação ambiental!!!

(...) Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades. Hoje sei que isso é ... Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje chamo isso de ... Amadurecimento.
(...) Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo o que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que se chama... Amor - próprio.
(...) Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada. Tudo isso é... Saber Viver!
(Charlie Chaplin)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ABALO SÍSMICO


Quem sou eu?
Sou aquela que você tenta fingir que não tem nenhuma importância. Aquela que se você pudesse, apagava de cada momento que ainda resta na sua lembrança.
Tudo foi sempre tão sistemático, lógico, organizado. Tudo sempre teve uma explicação, uma razão para existir. E então, eu surgi. O extremo oposto de tudo o que você entende. A chuva que cai desmentindo a previsão do tempo. O sonho em forma tangível.
Sou a anticiência, a antimatéria, a sem razão, a emoção. Aquela coisa que você vê, sem enxergar.
E é por isso que tá tudo desse jeito. Porque o meu terremoto abalou sua construção. Porque alguma coisa em mim, balançou seu mundinho perfeito. Porque eu baguncei sua organização, fiz cair por terra seus métodos, flutuei acima das suas certezas e fiz existir algo em você que não provém da razão.
Pela primeira vez não há explicação lógica e por isso não me dá motivos. Porque você não entende, e se não entende, não pode explicar. E não enxerga, porque sente e porque sente, se tranca, pois é mais fácil fugir do que admitir e enfrentar.
Pois bem, acorrente seu coração. Vista sua couraça de frieza. Aparente indiferença. Ande com ares de superioridade.
Negue.
Negue para os outros, pois nenhum deles te conhece tão bem. Negue para si mesmo o máximo que puder (sem esquecer de que cada vez que olhar no espelho, a verdade estará lá). Você já fez isso tantas vezes, não vai ser difícil fazer de novo. Negue para quem está do teu lado, mas não está dentro; que continua assim pela conveniência, porque tá certo, porque faz sentido.
Negue para quem você quiser.
Mas a cada segundo que passa, quanto mais você reforça para si e para os outros a sua negação, mais ela se fortalece para mim como afirmação.

Nem mesmo a maior montanha do mundo sai ilesa de um abalo sísmico tão impactante. Por que com você ia ser diferente?

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

BURACO NEGRO


Tem horas em que eu me pego olhando para o nada. Apenas uma pausa para contemplar o vazio dentro de mim. Outra noite, olhando para a lua cheia e para o céu estrelado, era a mim que eu via. Era como se eu pudesse ver o interior do meu coração, que neste momento está como o céu que eu enxergava: escuro, distante, profundo, infinito... Com luzes brilhantes que aparecem aqui e ali, mas não escondem totalmente a sua escuridão.
Recentemente algumas das estrelas mais brilhantes do meu céu começaram a se apagar. E a grande contradição disso tudo é que mesmo sabendo que estrelas são infinitas, nascem e morrem o tempo todo, eu não quero deixar estas se apagarem. E assim o meu céu está um caos, pois eu venho lutando contra sua natureza, tentando impedir o inevitável, tentando preservar o pouco brilho de luz que ainda resta, tentando fazer o impossível...
Já analisei a situação tantas vezes que já perdi a conta. Já envenenei meu coração com a raiva. Tentei fugir da mágoa, mas com ela não é tão simples assim. Tentei achar minha culpa no meio disso tudo e não encontrei. E quer saber? Hoje só tenho pena. Pena de quem vive como se coisas assim fossem simplesmente descartáveis. E o pior de tudo isso é que mesmo sabendo que eu não tenho culpa de nada (tanto na minha quanto na opinião de muitas outras pessoas), meu coração ainda procura motivos, ainda busca erros, faltas, ausências ou o que quer que seja que tenha partido de mim e que possa ter levado tudo a esse ponto extremo.
Isso me entristece, pois enaltece aquela velha batalha: a cabeça diz que não tem mais jeito, mas o coração não escuta e alimenta a chama da esperança, baseado nas lembranças dos momentos bons que não podem ser simplesmente apagados ou jogados fora desse jeito, como se não tivessem sido nada, como se não tivessem acontecido...
As pessoas em volta tentar animar, consolar, dizendo os tradicionais "seja forte"; "siga em frente"; "vai dar tudo certo" e até mesmo uns "que se dane quem não gosta de você" que surgem de vez em quando. Tudo pra tentar amenizar essa falta, esse vazio, esse buraco que ficou. E eu sou muito grata mesmo, a todos que estão do meu lado nesse momento. Nem eu sei o que seria se vocês não estivessem aqui, de perto ou de longe, pra me amparar e me fortalecer.
Mas só eu sei o tamanho da batalha que eu tenho pela frente, tendo que manter minha cabeça erguida quando tudo que eu quero é ir até lá apontar o dedo e gritar umas boas verdades até fazer tudo voltar a ser como era antes... E assim poder ver meu lindo céu todo estrelado novamente... Mas eu sei que nunca mais vai ser assim.
E eu vou seguir em frente, mesmo com esse buraco negro ampliando a minha escuridão. Mesmo com toda dor da perda, com toda a mágoa e com toda a pena que eu sinto de quem joga fora tão fácil aquilo que um dia foi tão importante.
É triste admitir que meus sentimentos estão mudando. Não há mais razão para lutar. E eu vou precisar de uma força enorme para largar a minha espada e admitir essa derrota.
A grande questão é: COMO SE FAZ ISSO?

Now and them I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that i'd done
And I don't wanna live that way
Reading into every word you say
You said that you could let it go (...)
But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened
And that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low (...)
But now you're just somebody that I used to know...

(Gotye - Somebody That I Used to Know)

Às vezes penso em todas as vezes em que você me ferrou
Mas me fazia acreditar que era sempre algo que eu tinha feito
E eu não quero viver desse jeito
Lendo cada palavra que você diz
Você disse que podia deixar isso passar (...)
Mas você não precisava me cortar
Fingir como se nunca tivesse acontecido
E que nós não éramos nada
E eu nem preciso do seu amor
Mas você me trata como uma estranha e isso parece tão rude
Não, você não precisava ter descido tão baixo(...)
Mas agora você é só alguém que eu costumava conhecer...

sábado, 30 de junho de 2012

THE END


Essa é a hora do filme em que a mocinha esquece as dores do passado e vai á luta por seu grande amor. Começa a tocar a música tema dos dois e os bons momentos vão passando como flashes até que ela decide que não pode perder tudo assim.
Então ela muda o penteado, põe uma roupa colada, um salto e maquiagem e vai em busca daquilo que lhe pertence. Simples, né?
Ah quem dera eu pudesse resolver todo o meu problema com um salto e um batom. Mas a minha vida não é um filme. Aliás, está bem longe de ser. Neste momento, se eu tivesse que transformar minha vida em um filme e lhe dar um nome seria "A Hora do Pesadelo". Porque só pode ser isso. Só pode.
Só tô escrevendo mesmo para agradecer á platéia. Muito obrigada a quem torceu de verdade para que eu saísse do meu "mundinho de ilusão". Acabei de perder a única coisa que ainda me prendia lá. Acabei de perder meu último traço de inocência e de pureza.
Pois é. Acabou. Agora vocês podem assistir ao grande, verdadeiro e ansiosamente esperado Espetáculo da Vida Real!!! 'Aplausos'.
O Conto de Fadas acabou.
E não teve 'Felizes Para Sempre' no final.

Once upon a time I was falling in love
But now I'm only falling apart
There's nothing I can do
A total eclipse of the heart
Once upon a time there was light in my life
But now there's only love in the dark
Nothing I can say
A total eclipse of the heart

(Total Eclipse Of The Heart - Bonnie Tyler)


sexta-feira, 29 de junho de 2012

PERDOAR

Não é a primeira vez que me pego pensando no significado do perdão. Não no significado da palavra, mas sim do ato de perdoar. Ando precisando perdoar aqui e ali, mas não tenho certeza de que saiba fazer isso. E a minha desculpa sempre foi a frase feita: "Perdoar é divino e eu não sou Deus".
Porém, olhando para trás e fazendo um balanço, percebo que, mesmo alegando não saber, perdoei. Perdoei não só os outros por coisas que me fizeram, mas também perdoei a mim mesma. Sou apenas humana. E hoje, dou graças sinceras a Deus, por não ser uma pessoa extremamente racional. Dou graças todos os dias porque apesar das inúmeras vezes que o meu coração foi ferido, destroçado e despedaçado, ele não perdeu sua capacidade de regeneração. Ele sempre se renovou, se reconstruiu, se fortaleceu e suportou e abriu as portas para acolher de volta muitas das pessoas que saíram impetuosas e disseram que não voltariam nunca mais.
Pois é, apesar de tudo, meu coração continua aqui. Trincado, remendado, mas intacto em sua capacidade de amar. Ele é a minha maior fraqueza - posto que se entrega inteiro; mas também é minha maior força, pois quanto mais se quebra, mais se reconstrói; quanto mais cai, mais forte se levanta e não perde NUNCA a melhor de todas as capacidades humanas que é AMAR.
Se eu fosse seguir minha razão - desconsiderando o bom senso e a emoção - teria sempre o conceito de que perdoar é coisa de gente fraca, que gosta de ser feita de besta. Mas o perdão está além da mente, além da razão e aprendi isso a duras penas. e embora não tenha percebido, SEMPRE perdoei.
PERDOEI as mentiras nas quais me fizeram acreditar;
ME PERDOEI por ter tantas vezes me deixado enganar.
PERDOEI quem me feriu por estar com o coração ferido;
ME PERDOEI por ferir quem não merecia só porque eu estava ferida.
PERDOEI quem brigou e esbravejou comigo quando não devia tê-lo feito;
ME PERDOEI por não ter brigado e esbravejado quando deveria.
PERDOEI o orgulho, que construiu muros e derrubou pontes;
ME PERDOEI pelas vezes em que meu orgulho me impediu de enxergar que estava fazendo o mesmo.
PERDOEI as palavras duras, as acusações sem sentido, a injúria;
ME PERDOEI por ter odiado, praguejado e acusado também.
PERDOEI a cegueira emocional de quem só enxerga com a cabeça;
ME PERDOEI por nem sempre conseguir enxergar além do coração.
Perdoei com naturalidade, pois eu nem mesmo sabia que o que fazia era perdoar. Aquilo para mim, era o meu coração mole, que não tinha firmeza e nem memória e sempre deixou a porta aberta para quem quisesse voltar.
Agradeço portanto, o coração que tenho, pois sem ele eu seria sim, uma pessoa amargurada, enclausurada numa lógica restrita do tipo "aqui se faz, aqui se paga" ou "olho por olho, dente por dente" e por aí vai. Cheia de mágoa e rancor, incapaz de algum sentimento além daquele que a minha cabeça ditaria como o certo.
Hoje sei que sei perdoar. Que sempre perdoei. Que sempre perdoarei. Independente do que pensem, que digam, que falem.
Perdoo porque sou humana. Sou sentimento. Sou emoção. Não sei não amar. Não sei não confiar. Não sei não acreditar.
Perdoo acima de tudo porque sou toda coração.

Quer ser feliz por um instante? Vingue-se.
Quer ser feliz para sempre? Perdoe.
E principalmente: perdoe-se.

Entre estar certo e ser feliz, prefiro ser feliz!
(Autor Desconhecido).

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A CAIXA DE PANDORA

Por que será que a perfeição anda precisando tanto se afirmar? É tanto anúncio, tanta cantoria, que chega a despertar desconfiança... Há algo de podre no reino da perfeição... Deve haver alguma interferência, algum tipo de desvio que antes não existia... Por que, logo agora, essa necessidade explícita de afirmação? É tanta declamação pra lá e pra cá... E por que, se antes não existia???
É porque ele não está mais inteiro por aí, não é? Está mais distante, mais absorto... Muito além de qualquer lugar onde você possa chegar. E por não conseguir acessar esse lugar distante, você grita, você afirma e estampa, numa tentativa inútil de fazer ele te deixar entrar... Mas você não entra, não é?
Isso é porque você não tem a chave da Caixa de Pandora. A chave que abre esse lugar inacessível que quando alguém consegue finalmente abrir é pego no flagra, escorraçado e atirado ao longe, para além da ignorância. E após ser expulso, o lugar torna-se quase tão inacessível quanto era antes de se ter encontrado a chave.
Uma vez encontrada essa chave e aberta essa porta, encontra-se um mundo para além daquele que é visível. O mundo que vai além da fachada. Encontram-se segredos, medos, fragilidades. Coisas das quais você nem chegou perto de saber. Encontra-se a humanidade, o desejo de não ter que ser forte o tempo todo e até mesmo as lágrimas de quem parece ser incapaz de chorar.
Ao ter essa chave nas mãos a sensação é de que se tem tudo. E de certa forma, é isso mesmo o que se tem. O poder é imenso. Apesar da fachada continuar sendo a mesma, quem abriu a caixa já não a vê do mesmo modo. E mesmo parecendo impossível, quando se abre a Caixa de Pandora, se encanta ainda mais. Pois é...
Mas é claro que você não tem a menor ideia disso, pois há tempos você vem rodando e rodando, andando em círculo em volta da caixa, mas não consegue encontrar a chave. Se você tivesse encontrado, tanto pior pra você, pois hoje não haveria afirmação que você pudesse fazer, pois teria sido expulsa e então, não haveria mais nada a anunciar.
Foi por abrir a Caixa de Pandora que libertei o caos. Coloquei tudo em desordem. Baguncei a arrumação. Fui muito, mas muito mais longe do que qualquer outra pessoa. Sem precisar ser hacker, tive acesso às informações mais secretas. Cheguei tão longe, mas tão longe que passei do limite imposto. Abri, vasculhei, bisbilhotei, joguei tudo pro alto e finalmente me alojei ali.
até que o segurança me encontrou, tomando conta de todos os espaços dessa sala secreta. Ali não era o meu lugar, não é mesmo? Afinal de contas, quem eu pensava que era para estar ali ocupando o lugar que era de outra pessoa? Como é que eu podia saber mais, entender mais e importar mais do que os outros? Eu não era ninguém afinal.
Fui expulsa, desalojada de meu tão confortável lar. Atirada numa tempestade, que virou redemoinho, que virou furacão. E quando o vento passou e a água baixou, a minha chave tinha sumido. A Caixa de Pandora, depois de tanto empenho, estava fechada para mim. E tudo porque eu tive a imprudência - ou inocência - de achar que ela era minha. agora duvido que esta caixa seja aberta novamente tão rápido, pois marquei presença tão forte, que a segurança deve ter sido reforçada e a chave, muito bem escondida.
Não que eu queira despertar esperanças (pois essas já se foram há tempos), nem querendo ser prepotente ou me achar melhor do que ninguém, mas tenho pena de quem só vive na superfície, na certeza; de quem não escuta os apelos do próprio coração; de quem não se deixa levar, por medo de sair da linha; quem não se entrega a curiosidade de tentar e não se deixa envolver por aquilo que realmente deseja e não se entrega às emoções por medo de parecer fraco.
Podem me chamar de louca por achar isso. De insensata, de iludida, de inocente. Mas só vivendo o que eu vivi, sabendo o que eu sei e sentindo o que eu sinto para saber.
Cheguei muito além do que deveria. Ultrapassei até mesmo você, que é a certeza, que tanto afirma, tanto demostra e que agora, tanto precisa provar. É por não fazer sentido nenhum que tudo faz sentido. É por não ter razão nenhuma que foi esta a razão. Tenho pena de quem não consegue enxergar essa verdade. E se enxergar, nunca vai admitir. E mesmo que admita, agora é tarde demais.
O que conforta meu coração é saber que eu abri a Caixa de Pandora, libertei o caos que ali existia e fui punida. Mas valeu a pena, mesmo depois de tanto tempo, mesmo sendo tarde demais. Ao menos eu nunca precisei fingir e nem fugir dos meus sentimentos.
A gente só foge daquilo que não consegue enfrentar. Eu lutei contra os meus monstros. e você? Até quando vai continuar fugindo dos seus?

Esse seu jeito inocente não funciona na minha frente (...)
Me espanto com a sua atuação nada comovente (...)
De que adianta só ter voz, com ausência de atitude?
Esse caminho não é pros fracos, junte os trapos e se mude (...)
Vai se queimando sozinho (...)
(Karol Conká - Me Garanto)
P.S: não gosto de rap mas parte dessa letra veio a calhar!


sexta-feira, 1 de junho de 2012

INQUISIÇÃO



Oh grande filósofo, o que devo fazer agora? Aplaudir - te?
Sois vós o grande mártir enviado para minha salvação?
Devo então amansar - me e curvar - me diante de sua sabedoria suprema porque sou fraca e pequena.
Devo aceitar que as chicotadas que me inflige agora serão recompensadas no futuro com a salvação de minha alma perdida e derrotada.
Voltemos então ao tempo da Inquisição!!! Joguemos as bruxas na fogueira!!!
Oh grande oráculo, guie meus passos, pois não sei pensar por mim mesma.
Sou uma bruxa. Utilizo - me de artifícios para enfeitiçar as pessoas e depois usá - las em meu benefício. faço jogos de palavras, mistérios. Como uma sereia, seduzo para matar. Sou uma esfinge: quem não decifra meus enigmas acaba devorado.
Não tenho capacidade de amar. Meus olhos não transmitem verdades. Meus textos são todos ensaiados. Minhas palavras são todas medidas, previamente escolhidas, adequadas a cada situação. Nada do que escrevo me sai do coração. Aliás, que outra função há para este órgão que não bombear sangue para o resto do corpo?
Oh grande salvador, me ajude, pois também não tenho fé. Não ando com um livro sagrado debaixo do braço e nem com uma cruz no pescoço. Não decorei capítulos e versículos que eu possa sair declamando aos 4 ventos como uma alma abençoada. Ajude - me, pois sou fraca e manipuladora. Choro para conseguir o que quero. Para fazer chantagem emocional com quem se rende a este tipo de fraqueza. sempre há alguém para tomar - me a frente no momento de enfrentar um problema. Só permito permanecer ao meu lado não quem fala a verdade, mas sim o que eu gosto de ouvir.
Agora vês? Agora Vossa Senhoria consegue enxergar o que sou? Então prenda - me com seus grilhões. Chicoteie - me todas as vezes que julgar necessário. Arraste - me para o centro da praça e atire - me na fogueira. Puna - me pelo crime de ser quem eu sou.
Vamos, grande detentor da sabedoria e da verdade, mantenedor da realidade e da racionalidade, queime - me como a bruxa que sou, jogue - me na fogueira.
Mas tome cuidado porque se eu for uma fênix, renasço das cinzas e vos atiro lá em meu lugar!

Empurrem conselhos (...)
Condenem os feitiços (...)
E queimem as bruxas
Deixa queimar
Queimem as Bruxas
Deixa queimar...
Quem ordena a execução
Não acende a fogueira...

(Pitty - Quem Vai Queimar?)

domingo, 27 de maio de 2012

ANESTESIA



Agora eu não tenho mais medo.
É simplesmente o inevitável cumprindo seu papel.
As lágrimas que escorrem, já eram esperadas. Os olhos inchados, olheiras e noites de sono perdidas, já vinham se apresentando há tempos.
O coração estilhaçado, já nada sente, tão anestesiado que está. Quebrou de novo. Grande novidade.

A dor de cabeça dói menos que a dor na alma. E mesmo assim, doem na medida programada, do modo que eu já sabia que ia doer.
A verdade é que a cabeça, o corpo, o coração e a alma já vêm trabalhando nisso faz tempo. A infraestrutura já estava preparada para um abalo sísmico.
Os danos estão dentro do que foi previsto.

É claro que neste processo, o coração é sempre quem reluta mais em aceitar as consequências. Mas uma hora ele para e analisa, e aceita, e se cura.
O sorriso amarelo já está preparado. Ensaiando sua melhor pose pra entrar em cena. Mas os olhos... Ah, os olhos...

Esses dois nunca colaboram. A luz que brilhava no fundo apagou. São opacos agora. E mesmo assim, só de olhar se pode enxergar toda a verdade neles.

Porque dói. Apesar de não ser surpresa, dói.
Apesar de estar preparado, dói.
Apesar da anestesia, dói.

Mas as lágrimas vão rolar porque é preciso esvaziar o coração para abrir espaço.
Os olhos vão encher-se d'água para ficarem limpos e poderem enxergar melhor.
As memórias... Pra essas não existe borracha, mas existe um arquivo, que uma hora será trancado lá no fundo, num lugar quase inacessível.
As noites de sono um dia vão voltar.
Pode parecer frieza, mas eu sei que não é.
É apenas o inevitável cumprindo seu papel. E eu apenas não tenho mais medo dele.
Depois de me lavar com minhas lágrimas, tudo de ruim se vai, e a primavera em mim voltará a florescer.



Tentei terminar o post com este vídeo, mas não carregou, então vai o link mesmo!!!